DESCARTÓGRAFOS + RECARTÓGRAFOS – Uma desconstrução da cartografia em série

As lembranças do caminho de casa, para o trabalho ou escola, ou de retorno ao final do dia – O que mais chama a sua atenção?

São as luzes acesas de domicílios vividos somente a noite, ou aquelas pessoas praticando exercício, correndo aparentemente livres, ou até mesmo o idoso que admira a vida diante de si, sentado na varanda tranquilo? Os prédios altos que se apresentam imponentes sobre a cidade? Ou até mesmo aquela área mais arborizada que se ouve o canto dos pássaros – quando as buzinas se silenciam por um momento, é claro!-? Um mapa em branco implora para provê-lo de vivências, criando novos signos e símbolos, possíveis somente pela experiência cotidiana do/no espaço. Emergem da psicoesfera conteúdos íntimos e pessoais socializados na materialidade do mapa. Um mapa em processo, em movimento.

O mapa, nesse sentido, não é um registro gráfico somente, mais do existir.  Lugar-encontro de ampliação do território subjetivo e afetivo.

Coletivo E/OU, em entrevista ao Cartografias Online

O IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) expôs uma carta topográfica da região a livres intervenções na galeria subterrânea do Terminal de ônibus do Pinheirinho – resultando em um mapa coletivo com inscrições dos sujeitos que vivenciam este lugar de passagem. Essas mudanças e transcrições concebem ao mapa uma memória coletiva do lugar e evidenciam diferentes contextos sociais e subjetividades.

eou

O trabalho “Descartógrafos”, de 2008, do coletivo e/ou – fluxo coletivo de artistas, composto por Claudia Washington, Lúcio Araújo e Newton Goto, focado na reflexão crítica sobre o circuito de arte e a sociedade contemporânea – fazendo derivas de Curitiba, é uma desconstrução da cartografia convencional. A partir de 2008 o E/Ou investiu na atuação em espaço público, com o desenvolvimento de cartografias sociais e artísticas participativas na região sul da cidade. Uma segunda etapa do trabalho levou os artistas do e/ou a campo para investigar-mapear espaços anotados na “descartografia” realizada pelos sujeitos passantes. Recartógrafos, projeto realizado em 2010, é uma cartografia de uma realidade pulsante, dinâmica, e não mapeada, que torna visível o invisível. Surgiram anotações de lugares como o Pequeno Espaço, lugar não mapeado no mapa oficial, mas onde residem (descobriram os descartógrafos depois) quase 300 pessoas, uma pequena comunidade. Esta cartografia processual, relacional e coletiva, neste caso, tornou visíveis aquelas existências. Em 2012, com o projeto Re(des)cartógrafos, elaborou proposta de transposição desses mapeamentos para o espaço de galerias de arte, participando das exposições PR-BR: Produção da Imagem Simbólica do Paraná na Cultura Visual Brasileira, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil I, exposição inaugural do Museu de Arte do Rio de Janeiro, em 2013. A proposta Memórias de caminhos para casa foi exposta na Bienal Internacional de Curitiba 2013 e faz parte desse fluxo de migração da experiência do espaço urbano para o museu.

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