Carteiro Amigo: Mapeamento mais que funcional – invejado até pela Google!

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Imagine morar na maior favela da América Latina, em um emaranhado de pessoas, casas e ruelas, considerado de classe média e ter a obrigação de procurar a sua conta de energia em diversas caixas em um açougue?

Pois o carteiro depois de anos, ainda não descobriu em qual ruela a sua residência se encontra. Um grande problema que gerou uma oportunidade de negócio! Os fundadores, Carlos Pedro, Eliane Ramos e Silas Viera, nascidos e criados na Comunidade da Rocinha em São Conrado, Rio de Janeiro, enfrentaram essa dificuldade – até então ignorada pelos órgãos públicos –  beneficiando uma grande parte da comunidade. A necessidade surgiu através do trabalho como recenseadores para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nós sentimos na prática como era complicado localizar alguém sem nomes de ruas ou números fora de sequências lógicas e mesmo repetidos.

O Grupo Carteiro Amigo é uma empresa que se estabeleceu na comunidade da Rocinha com a finalidade de devolver aos moradores um dos direitos básicos, que é o de receber sua correspondência. Isso só passou a ser realidade em outubro de 2000, através de um mapeamento baseado em um mapa lógico através da geração de sequências de algoritmos. Algoritmos são conjuntos de instruções para operações específicas. Já que o mapa visual era inviável devido ao crescimento desenfreado periférico através de vielas, becos e ruas estreitas.

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Uma sequência típica funciona assim: “Muro, pedra, galinheiro, comércio, casa, prédio, condomínio”. Cada um destes conceitos tem a definição específica que facilita o trabalho deles. “A Rocinha está em um estado constante de construção”. “Pode ser que daqui a um mês um galinheiro suma e apareça uma casa em seu lugar. Por causa disso precisamos registrar tudo. Fica mais fácil de modificar depois.” 

Pedro explica em entrevista ao Motherboard

Como não existem nomes oficiais para a grande maioria das ruas na Rocinha, os moradores inventam. Uma rua normalmente tem pelo menos dois ou três nomes. As ruas não começam nem terminam de uma forma arbitrária –  Pedro e seus colegas foram obrigados a criar um início e fim virtual de cada uma delas. O resultado é um algoritmo para cada rua, escada e beco. Juntos, estas centenas de páginas de texto feitas à mão viraram um enorme mapa, cheio de linhas de código, impossível para qualquer pessoa entender sem conhecimento da sua lógica. Na ausência de uma imagem visual, eles criaram um pseudocódigo, uma linguagem informal de categorias para explicar cada estrutura fixa, natural ou fabricada, que se encontra em cada rua, escada e beco dentro da enorme comunidade da Rocinha. Por exemplo, um “condomínio” é definido como um beco sem saída com menos de 12 residências.

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Com o mapa principal finalizado, a empresa o patenteou e iniciaram o serviço – e foi o começo de uma rede de franquias, atualmente em oito favelas. Há um enorme mapa tradicional na parede que mostra todos os becos da comunidade. “Veja isso”, Pedro fala. “Fizemos isso baseado em todo nosso mapeamento. O Google esteve aqui mês passado. Eles perguntaram se poderiam fotografar este mapa. Falei: ‘De jeito nenhum’. Eles que se virem.”

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